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Vasco Correia: do rugby português à aventura universitária nos Estados Unidos

há 11 minutos
5 min de leitura

Do rugby em Portugal à Marian University, nos Estados Unidos, Vasco Correia está a descobrir uma nova forma de conciliar o desporto, os estudos e o futuro. Numa entrevista a duas vozes, o jovem jogador e a mãe, Tania, contam como foi transformar uma oportunidade numa experiência de vida.


Vasco Correia e Tania Settimeli
Vasco Correia e Tania Settimeli

A decisão de estudar e jogar rugby nos Estados Unidos não se toma de um dia para o outro. Envolve expectativas, escolhas, dúvidas e, muitas vezes, a coragem de sair da zona de conforto. Para o Vasco essa possibilidade tornou-se realidade depois de receber 11 propostas de bolsas universitárias. Entre várias opções, escolheu a Marian University, em Indianápolis, onde encontrou uma equipa multicultural, um ambiente acolhedor e novas perspetivas para o seu futuro académico e desportivo.


Mas esta história não é apenas sobre rugby ou sobre estudar no estrangeiro. É também sobre o que significa, para uma família, ver um filho partir para outro continente. Conversámos com Vasco e com a mãe, Tania, sobre os primeiros meses nos Estados Unidos, a escolha da universidade, as diferenças entre o rugby português e o americano e a importância de ter o apoio certo ao longo do processo.


Vasco, como têm sido estes primeiros meses nos Estados Unidos?

Têm sido excelentes. A adaptação foi rápida e fácil, muito graças aos meus colegas, que me ajudaram imenso durante todo o processo. Desde o início senti que podia contar com eles, o que tornou esta mudança muito mais simples.


Antes de chegares, como imaginavas que seria esta experiência? Encontraste uma realidade diferente?

Sinceramente, não tinha grande ideia de como seria. Mas, depois de alguns dias na universidade e de conhecer melhor a equipa, fiquei muito surpreendido pela positiva. Foi melhor do que aquilo que esperava.


Qual foi o maior desafio de deixar Portugal e começar uma vida num país diferente?

O mais difícil foi adaptar-me à realidade de estar sozinho num país novo, rodeado de pessoas que não conhecia e sem as referências que tinha em Portugal.



Como foi a integração na equipa de rugby?

Não podia ter sido recebido de melhor forma. Os meus colegas ajudaram-me imenso na transição e fizeram com que me sentisse parte de uma família.


O rugby universitário americano é muito diferente daquele que jogavas em Portugal?

Sim, sobretudo na componente física. O rugby americano é extremamente mais físico do que aquele a que estava habituado em Portugal. Antes tinha um tamanho e peso normais para os jogadores com quem competia. Aqui sou dos mais pequenos e leves da equipa. É uma diferença bastante grande.


Para além do rugby, o que mais te surpreendeu no sistema universitário americano?

A liberdade que temos para construir o nosso percurso académico. Em Portugal, o nosso futuro acaba por depender muito da escolha que fazemos antes de entrar na universidade. Aqui posso experimentar disciplinas completamente fora da minha área, descobrir novos interesses e adquirir conhecimentos mais abrangentes. É algo que valorizo bastante.


Como descreverias o ambiente que encontraste na universidade?

É excelente, especialmente dentro da equipa, onde existe um espírito de família muito forte. A universidade também é pequena, o que tem vantagens e desvantagens. Acabamos por conhecer praticamente toda a gente e toda a gente nos conhece.


Recentemente recebeste a visita da tua família. O que significou esse reencontro?

Foi ótimo para matar saudades de casa e voltar a comer comida bem confecionada! Depois de meses a comer fast food e comida de refeitório, começamos a apreciar muito mais as coisas simples que tínhamos em casa.


O que acreditas que esta oportunidade te pode proporcionar, academicamente e no rugby, que seria mais difícil encontrares em Portugal?

Pode oferecer-me um caminho bastante diferente daquele que teria em Portugal. Sinto que tenho melhores condições para ser bem-sucedido e a possibilidade de construir um futuro aqui depois da universidade, se for essa a minha vontade.




Para Vasco, a mudança significou descobrir um novo país e uma nova realidade. Para Tania, significou aprender a lidar com a distância e confiar no caminho escolhido pelo filho.

Quando o Vasco começou a falar na possibilidade de estudar e jogar rugby nos Estados Unidos, qual foi a sua primeira reação?

No início fiquei de coração apertado. Não era propriamente aquilo que estava à espera para o meu filho, mas conhecia algumas amigas cujos filhos tinham ido estudar para fora, inclusivamente através da Next, e procurei perceber melhor como funcionava.

À medida que fui vendo o entusiasmo do Vasco, percebi que era uma oportunidade espetacular e uma experiência única na vida. Tive cerca de um ano para me habituar à ideia e a Fátima, da Next, também me tranquilizou bastante .Acima de tudo, fiquei feliz por ele ter encontrado um objetivo.


O Vasco recebeu 11 propostas de bolsas universitárias. Como foi o processo até escolher a Marian University?

Foi uma decisão muito ponderada. Chegámos a fazer uma tabela de Excel para comparar as vantagens e desvantagens de cada universidade: a cidade, a distância a Portugal, o valor da bolsa e as condições oferecidas. A Fátima foi incansável a ajudar-nos a compreender melhor as diferentes opções. Mas a decisão final foi totalmente do Vasco, independentemente daquilo que eu ou o meu marido achávamos. Ele acabou por escolher a Marian University, em Indianápolis, e foi a melhor decisão que podia ter tomado. Ainda recentemente me disse que não poderia ter escolhido melhor.


Acompanhou o Vasco quando ele se mudou para os Estados Unidos. Que importância teve conhecer pessoalmente a universidade?

Foi fundamental. Fomos com ele em agosto, quando se mudou e, conheci a universidade, o treinador, a mulher do treinador, alguns colegas e as pessoas da parte administrativa. Mostraram-nos o campus, o quarto onde ele ia ficar e as instalações, que são fabulosas.

Toda a gente foi extremamente simpática e preocupada em recebê-lo bem, por isso sentimos uma hospitalidade enorme. Isso deu-me muita tranquilidade. Se ele tivesse ido sozinho e eu conhecesse tudo através de videochamadas, teria sido muito mais difícil.



O que mais a impressionou quando regressou aos Estados Unidos para assistir a um jogo?

Foi uma experiência espetacular. O jogo a que assistimos em outubro realizou-se num estádio da Indiana University, com capacidade para cerca de 56 mil pessoas. É uma dimensão completamente diferente daquela a que estamos habituados em Portugal. Sou fotógrafa e faço fotografia desportiva, por isso tive a oportunidade de estar no relvado a fotografar. Foi absolutamente extraordinário. Não tem comparação com muitos dos campos onde estamos habituados a ver rugby em Portugal.


O que descobriu sobre o ambiente dentro da equipa?

Achei o grupo de jogadores espetacular. Dão-se todos muito bem, desde os mais velhos aos caloiros, não existe aquela separação entre quem já está há mais tempo e quem acabou de chegar. Os jogadores organizam convívios, passam tempo juntos e criam relações muito próximas. A equipa tem cerca de 40 jogadores, dos quais aproximadamente 20 são internacionais. É um grupo muito variado e acredito que o Vasco vai fazer ali amigos para a vida. Há uma verdadeira comunidade à volta do rugby.



O que espera que o Vasco leve desta experiência, para além da evolução enquanto jogador de rugby?

Espero que tenha a experiência da vida dele. Que conheça pessoas diferentes, que faça amizades para a vida e que aproveite todas as oportunidades que esta experiência lhe pode dar.

Não sei se um dia vai regressar a Portugal. Espero que sim, naturalmente. Mas, se não voltar, faz parte da vida. O mais importante é que seja feliz e que construa o seu próprio caminho.

Neste momento, acho que está muito, muito feliz. E sinto que esta foi a melhor decisão que podia ter tomado.



 
 
 

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