Da NCAA ao Basquetebol Profissional na Europa: A Jornada Transformadora de Maria Dias
- mkd435
- há 11 minutos
- 4 min de leitura
Aos 25 anos, Maria Dias olha para o seu percurso de quatro anos nos Estados Unidos com o orgulho de quem superou desafios físicos, culturais e competitivos para se afirmar no basquetebol universitário americano.
A sua caminhada começou em 2021, quando trocou Portugal pelos campos americanos. Depois de uma passagem marcante pelo College of the Sequoias, Maria deu o salto para a prestigiada Idaho State University, onde viveu por dentro a máxima exigência do desporto universitário dos EUA. Hoje, com o diploma na mão, a maturidade na bagagem e um inglês fluente, a atleta portuguesa inicia uma nova etapa na sua carreira. Ingressa no basquetebol profissional europeu, ao serviço das italianas do Club Basket Frascati.
Em entrevista, a jogadora recorda a transição para o estilo de jogo americano, a rotina de elite e como essa bagagem a preparou para os desafios que a esperam.

Next Level: Depois de finalizares quatro anos de percurso universitário nos Estados Unidos, olhando para trás, que significado tem este momento para ti?
Maria Dias: É um sentimento de muito orgulho. Foram quatro anos que me fizeram crescer muito, tanto dentro como fora do campo. Passei por momentos incríveis, outros mais difíceis, mas olhando para trás sinto que valeu mesmo a pena e que saio desta experiência muito mais preparada para o futuro.
NL: Quando decidiste embarcar nesta aventura em 2021, imaginavas que esta experiência no basquetebol universitário americano iria marcar tanto o teu percurso?
Maria: Sabia que ia ser uma grande oportunidade, mas acho que nunca imaginei o impacto que ia ter. Não só evoluí como jogadora, como também cresci muito como pessoa. Vivi longe da família, conheci pessoas de todo o mundo e aprendi muito sobre mim.
NL: Falando nesta transição, lembras-te do momento em que percebeste que ias deixar Portugal? Como geriste a mistura de entusiasmo e incerteza?
Maria: Lembro-me perfeitamente. Estava muito entusiasmada porque era um sonho que tinha, mas ao mesmo tempo havia aquele nervosismo por deixar tudo para trás e começar uma vida completamente nova. No início foi um desafio e é normal haver momentos de dúvida quando estamos tão longe de casa, mas tentei sempre focar-me no motivo pelo qual fui para lá. Com o tempo fui-me adaptando e hoje vejo que todas essas dificuldades me ajudaram a crescer.
NL: E nesta mudança, qual foi o maior desafio na adaptação à vida e ao basquetebol nos Estados Unidos?
Maria: Acho que foi adaptar-me ao ritmo. Conciliar treinos, aulas, viagens e ainda encontrar tempo para estudar exigia muita organização. No basquetebol também senti logo a diferença na intensidade e na parte física.
NL: O basquetebol universitário por lá é conhecido pela sua dimensão. O que mais te surpreendeu no contexto académico e desportivo americano?
Maria: É realmente muito exigente. Todos os dias tens de dar o teu melhor porque a competição é enorme, mas ao mesmo tempo tens todas as condições para evoluir. O que mais me surpreendeu foi a forma como o desporto é valorizado dentro da universidade. Tens uma equipa inteira à tua volta para te ajudar, desde treinadores a preparadores físicos, fisioterapeutas e apoio académico. É uma estrutura muito completa.
NL: Como era um dia típico na tua rotina a conciliar treinos intensos, viagens de equipa e os compromissos da faculdade?
Maria: Os dias começavam cedo e eram sempre muito preenchidos. Tinha aulas, treinos, sessões de recuperação, estudo e, durante a época, muitas viagens para os jogos. Era uma rotina exigente, mas ensinou-me a gerir muito bem o meu tempo.
NL: Qual era a tua realidade no basquetebol em Portugal antes de ir e como foi o choque de transição para o nível competitivo da liga onde jogaste nos EUA?
Maria: Em Portugal já competia a um bom nível, mas nos Estados Unidos senti logo que o ritmo e a intensidade eram diferentes. No início foi um choque, principalmente pela parte física, mas acabou por ser isso que mais me fez evoluir.
NL: Na prática, quais foram as principais diferenças que sentiste entre os dois estilos de jogo?
Maria: Nos Estados Unidos o jogo é muito mais rápido e físico. Em Portugal sinto que há uma maior componente tática. São estilos diferentes, e acho que ter passado pelos dois tornou-me uma jogadora mais completa.
NL: Para lá das quadras, o que trazes na bagagem em termos profissionais e pessoais?
Maria: Acima de tudo disciplina e resiliência. Também aprendi a lidar melhor com a pressão, a comunicar com pessoas de diferentes culturas e a ser muito mais independente. Hoje sinto-me muito mais confiante. Falar inglês fluentemente e ter vivido quatro anos noutro país abriu-me muitas portas e deu-me competências que vão muito além do desporto.

NL: Com a etapa americana concluída, assinaste este ano pelo Club Basket Frascati. Como surgiu esta oportunidade e porquê Itália?
Maria: A oportunidade surgiu no momento certo. Queria dar o passo para o basquetebol profissional e Itália pareceu-me uma excelente opção. É um campeonato competitivo e acredito que é o lugar certo para continuar a crescer.
NL: De que forma é que a exigência que trouxeste dos EUA te ajuda agora nesta adaptação ao basquetebol europeu?
Maria: Ajudam muito. Nos Estados Unidos aprendi a manter um nível de exigência muito alto todos os dias e isso acompanha-me agora. Sinto que chego a esta nova etapa mais preparada para os desafios.
NL: E quais são os teus grandes objetivos para esta temporada em Frascati e para o futuro?
Maria: Quero adaptar-me o mais rapidamente possível, ajudar a equipa a atingir os seus objetivos e continuar a evoluir como jogadora. A longo prazo, quero construir uma carreira sólida e competir ao mais alto nível que conseguir.





Comentários