A Caminhada de Sucesso de Joana Milho: do Voleibol Universitário Americano à Seleção Nacional
- mkd435
- 16 de jul.
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Concluir uma licenciatura já é, por si só, um marco inesquecível. Fazê-lo do outro lado do Atlântico, enquanto se brilha no exigente ecossistema do desporto universitário norte-americano e se conquista um lugar na Seleção Nacional Sénior Portuguesa, é uma história que merece ser contada.
A voleibolista Joana Milho acaba de fechar este capítulo dourado na Central Methodist University, para onde embarcou em 2022, com apenas 18 anos. Integrada no projeto da Next, a atleta ingressou neste grande desafio nos EUA. Quatro anos depois, o balanço não podia ser mais positivo: um diploma na mão, uma evolução pessoal e desportiva gigante e a certeza de que o sonho americano valeu cada segundo de suor.

Estivemos à conversa com a Joana, que há dias assinou contrato profissional com o clube K dos Açores da 1ª divisão nacional de séniores femininos, que nos recordou os maiores desafios da adaptação, a rotina intensa de estudante-atleta, o orgulho de estrear com a camisola de Portugal e as suas grandes ambições para o futuro (dentro e fora das quatro linhas).
Acabaste de concluir a tua licenciatura depois de vários anos como estudante-atleta nos Estados Unidos, que significado tem este momento para ti?
É um momento de enorme orgulho. Quando decidi ir para os Estados Unidos sabia que ia ser um grande desafio, mas nunca imaginei tudo aquilo que iria conquistar ao longo destes quatro anos. Terminar a licenciatura representa muito mais do que um diploma. É a prova de que consegui conciliar o alto rendimento com a exigência académica, ultrapassar momentos difíceis e crescer como atleta e como pessoa.
E quando decidiste partir para os EUA, imaginavas que esta experiência iria marcar tanto o teu percurso, dentro e fora do voleibol?
Sabia que seria uma experiência importante, mas acho que ninguém consegue imaginar verdadeiramente o impacto que uma decisão destas pode ter. Os Estados Unidos mudaram a minha forma de ver o desporto, o trabalho e até a vida. Conheci pessoas incríveis, vivi experiências únicas e tornei-me muito mais independente.
Lembras-te do dia em que percebeste que ias deixar Portugal para viver essa aventura do outro lado do Atlântico? Como foi esse momento?
Lembro-me perfeitamente. Foi uma mistura de entusiasmo e medo. Estava muito feliz por ter esta oportunidade, mas ao mesmo tempo sabia que ia deixar a minha família, os meus amigos e tudo aquilo que conhecia. Foi um daqueles momentos em que percebemos que estamos a sair da nossa zona de conforto para perseguir um sonho.
Qual foi o maior desafio na adaptação à vida nos Estados Unidos?
Sem dúvida, estar longe da família. Também foi preciso adaptar-me a uma cultura diferente, a outra língua e a uma rotina muito intensa. No início tudo era novo, mas com o tempo fui criando o meu espaço e aprendi a sentir-me em casa mesmo estando tão longe.
Como disseste, estar longe da familia foi o maior desafio, e isso naturalmente também traz aprendizagens. O que descobriste sobre ti própria nesta fase da tua vida?
Descobri que sou muito mais forte e independente do que imaginava. Aprendi a resolver os meus próprios problemas, a confiar nas minhas capacidades e a valorizar ainda mais os momentos com a minha família.
O que mais te surpreendeu na forma como o desporto universitário é vivido por lá?
O profissionalismo. Os atletas têm acesso a excelentes condições, desde instalações e acompanhamento médico até apoio nutricional, psicológico e académico. Percebe-se que existe um investimento muito grande para que consigamos dar o nosso melhor dentro e fora do campo.
Como era um dia típico na tua rotina enquanto conciliavas treinos, competição e universidade?
Os dias eram bastante preenchidos. Normalmente tinha aulas e treinos específicos de posição durante a manhã, seguidos de treinos de musculação e de voleibol durante a tarde, embora alguns dias a rotina fosse diferente e os treinos acontecessem logo de manhã. Sempre que necessário, ainda fazia tratamentos de recuperação e, ao final do dia, dedicava-me aos trabalhos da universidade, ao estudo e tentava reservar algum tempo para mim. Além disso, a equipa tinha de cumprir obrigatoriamente três horas semanais de estudo na biblioteca para manter um bom desempenho académico coletivo (GPA), por isso esse tempo também fazia parte da minha rotina. Como se tudo isso não bastasse, ainda trabalhava no departamento de atletismo da universidade.
Apesar de ser uma rotina muito exigente, nos Estados Unidos tudo era muito bem organizado. Os horários eram pensados para que conseguíssemos conciliar o desporto com os estudos, por isso nunca senti grandes dificuldades em gerir ambas as áreas. Claro que exigia organização, disciplina e responsabilidade da minha parte, mas, com o tempo, tornou-se uma rotina natural.
Que competências acreditas ter desenvolvido durante estes anos que hoje fazem de ti uma atleta e uma pessoa mais preparada?
Aprendi a gerir melhor o meu tempo, a lidar melhor com a pressão, a comunicar com pessoas de diferentes culturas e a ser mais resiliente. Sobretudo, aprendi que a consistência é aquilo que faz realmente a diferença a longo prazo.

Ao longo deste percurso surgiu também a oportunidade de representar Portugal na Seleção Nacional. O que sentiste quando recebeste essa convocatória?
Representar Portugal sempre foi um enorme orgulho e receber essa chamada foi a confirmação de que todo o trabalho realizado ao longo dos anos estava a ser reconhecido.
Lembras-te do momento em que vestiste a camisola da Seleção pela primeira vez?
Lembro-me perfeitamente. Foi um momento muito especial e emocionante. Vestir a camisola de Portugal é uma responsabilidade enorme, mas também um privilégio que nunca esquecerei. Representar Portugal sempre foi um sonho de infância; à medida que fui crescendo deixou de ser apenas um sonho e tornou-se um objetivo pelo qual trabalhei todos os dias.
Há algum encontro internacional que tenha ficado especialmente marcado na tua memória?
Ainda não tive a oportunidade de participar em jogos internacionais oficiais pela Seleção Nacional, mas toda a experiência de integrar o grupo, participar nos estágios, viajar com a equipa e treinar a este nível foi extremamente enriquecedor. Cada treino e cada concentração permitiram-me aprender muito e perceber a exigência que representa vestir a camisola de Portugal. Um momento que guardo com muito carinho foi a minha estreia pela Seleção Nacional, no jogo realizado em Portugal frente à Macedónia do Norte. Foi um momento muito especial, porque representou a concretização de um sonho e a recompensa de muitos anos de trabalho. Espero que seja apenas o início de um percurso com muitas mais oportunidades de representar o nosso país.
De que forma a experiência adquirida nos Estados Unidos te ajudou e influenciou quando chegaste à Seleção Nacional?
A experiência nos Estados Unidos deu-me uma base muito sólida, principalmente a nível competitivo e da disciplina de trabalho. No entanto, quando cheguei à Seleção Nacional também senti que estava a entrar num contexto completamente novo. Não estava em época competitiva, por isso demorei algum tempo a voltar ao ritmo, e tive de me adaptar a novos modelos de jogo, a uma terminologia diferente, a exercícios específicos e a uma forma de treinar diferente daquela a que estava habituada. Foi um período de aprendizagem, mas acredito que os quatro anos nos Estados Unidos deram-me as ferramentas para me adaptar rapidamente, encarar essa adaptação com confiança e tirar o melhor partido da experiência.
O que representa para ti poder conciliar um percurso académico de excelência com a oportunidade de representar Portugal ao mais alto nível?
Representa equilíbrio e realização. Sempre acreditei que era possível investir na minha formação académica sem abdicar dos meus objetivos desportivos. Ter conseguido alcançar ambos deixa-me muito orgulhosa. Os primeiros meses nos EUA foram os mais desafiantes da caminhada, mas terminar a licenciatura e estrear-me pela Seleção são, sem dúvida, dois dos momentos mais marcantes da minha vida. A minha família foi sempre a minha maior base; mesmo à distância, nunca deixaram de me apoiar.

Que mensagem deixarias aos jovens atletas portugueses sobre a realidade do desporto universitário norte-americano e o modelo que encontrou por lá?
Gostava que soubessem que não é apenas uma oportunidade para jogar voleibol. É uma oportunidade para estudar, crescer e preparar o futuro. Claro que exige muito trabalho e dedicação, mas é uma experiência que pode mudar completamente a vida de um atleta. Nos EUA existe uma cultura de valorização e apoio ao desporto em geral, independentemente da modalidade. As pessoas acompanham, enchem pavilhões e reconhecem o trabalho dos atletas. Em Portugal, sinto que essa atenção continua muito concentrada no futebol. Gostava que outras modalidades também tivessem mais visibilidade e reconhecimento, porque temos muitos atletas de enorme qualidade que merecem esse apoio.
Para quem quer seguir este caminho, eu diria para nunca deixarem que o medo os impeça de tentar. Vai haver dificuldades, momentos de dúvida e de saudade, mas também haverá oportunidades que podem mudar completamente a vossa vida. Trabalhem todos os dias, sejam pacientes e acreditem no processo. Disciplina, organização, capacidade de sacrifício e muita resiliência são essenciais.
Agora que concluíste a licenciatura, quais são os teus próximos objetivos, dentro e fora das quatro linhas? Onde gostavas de estar daqui a cinco anos?
Neste momento quero continuar a evoluir enquanto atleta profissional, representar Portugal ao mais alto nível e continuar a crescer dentro do voleibol. Quero competir nas melhores ligas possíveis, conquistar títulos e jogar em grandes competições internacionais. Fora das quatro linhas, quero continuar a investir na minha formação e explorar oportunidades ligadas à área do design gráfico, uma área pela qual também tenho um grande interesse.
Daqui a cinco anos, gostava de continuar a competir ao mais alto nível e ter a oportunidade de jogar em diferentes países. Também não fecho a porta a um eventual regresso aos Estados Unidos, caso surja uma oportunidade interessante, porque foi um país que marcou muito o meu percurso. Acima de tudo, espero olhar para trás e sentir que continuei a crescer, tanto como atleta como pessoa, e que aproveitei ao máximo cada oportunidade que surgiu pelo caminho.





Histórias como esta mostram que o sucesso é construído com muito trabalho e persistência. É inspirador ver atletas portugueses alcançarem objetivos tão importantes depois de anos de dedicação e treino. Estes exemplos motivam muitos jovens a acreditarem nos seus próprios sonhos. No meu tempo livre costumo acompanhar várias modalidades desportivas e também conheci recentemente a win2chill app . Achei prática a possibilidade de utilizar a plataforma tanto no computador como no telemóvel. O lazer é importante, mas deve ser sempre aproveitado com equilíbrio.