14 de Setembro, 2016
Henrique Cardoso, Universidade de Montreat

“Adorei e estou ansioso por voltar”

Entrevista a Henrique Cardoso à chegada dos Estados Unidos

O português Henrique Cardoso chegou, viu e venceu. Na Universidade de Montreat, Henrique, único português na história da instituição, adaptou-se lindamente à sua nova vida e foi o escolhido para “Caloiro do Ano”, uma distinção muito prestigiada nos Estados Unidos. Excelente estudante e jogador, Henrique esteve em Portugal para umas merecidas férias, mas ansioso para voltar para mais um ano de estudo e futebol. A grande época desportiva que Henrique protagonizou valeu-lhe um grande aumento da bolsa desportiva.

Ao fim de um ano que balanço fazes desta aventura pelos Estados Unidos? O balanço é muito positivo, foi um ano muito bom. Não me arrependo nada, só de não ter ido mais cedo! Foi uma coisa que eu não estava nada à espera de como ia ser. Fui sozinho para lá, não levei nenhum português comigo. E foi incrível.

Eras o único português? O único português da escola e o primeiro. E o único a falar português pois também não havia nenhum brasileiro.

Como é ser o único português de uma universidade norte-americana e também da equipa de futebol? Eu não achei a adaptação muito difícil, é uma universidade pequena, é uma comunidade unida pelo que foi uma adaptação mais fácil e ser o único falante português ajudou-me a melhorar o inglês.

Como foi ao início? Eu fui para lá cinco dias antes da pré-época começar então tive de ficar hospedado em Charllote durante três dias. Fiquei com uma comunidade cristã, que me acolheu lindamente. Depois o meu treinador foi-me buscar e levou-me para o Campus, onde comecei a pré-época.

Ao que sabemos tiveste uma época brilhante… Sim, correu bem. A equipa era boa, a época individualmente correu-me lindamente, fui nomeado para Rookie of the Year (caloiro do ano) e agora é ver se, para o ano, me transfiro para algum lado mais alto.

Como funcionam as transferências de universidade? Para mudar de universidade, o primeiro passo é falar com o treinador, ser completamente honesto e aberto com ele, explicar-lhe os motivos e esperar que eles ajudem. Quando eu comecei a falar nisso já era um bocado tarde. Eles aconselham a quem quer mudar, a tratar logo no fim do primeiro semestre.

E como reagiu o teu treinador? Ao início estava um bocado renitente, não gostou da ideia. Depois aceitou os meus motivos e agora está disposto a ajudar-me.

Quais são os teus motivos para mudar? Os meus motivos são desportivos acima de tudo.

Henrique foi eleito caloiro do ano.

Qual é o teu objectivo a nível desportivo? É jogar profissionalmente e por isso estava a tentar ir para uma liga com mais visibilidade.

A tua bolsa desportiva mudou relativamente ao ano passado? Agora é maior. O ano passado tive uma bolsa meramente desportiva, este ano, devido aos resultados académicos, eles foram capazes de melhorar a bolsa para desportiva e académica e agora não estou a pagar quase nada. Acho que todos os portugueses devem aproveitar isto pois cá o ensino é realmente muito mais difícil.

Como é viver no Campus? Viver no campus é a melhor experiência que já tive. Na faculdade, em Portugal, eu ia todos os dias de comboio, voltava de comboio. Quando chegava já estava a pensar em quando é me vinha embora. Lá nós vivemos na faculdade. Nós vivemos a faculdade. É perfeito. É um ambiente em que acordamos e sabemos que no quarto ao lado temos um amigo. Se precisarmos de alguma coisa, sabemos que basta ir bater à porta. É muito bom.

E como foi no apartamento, tiveste que o mobilar? Eu tive a sorte de calhar com um americano, os pais dele levaram micro-ondas, frigorífico, televisão, xbox,. As camas já lá estavam, portanto eu não tive que trazer praticamente nada, só fui comprar um cobertor, uma almofada e pronto. As refeições é tudo na cafetaria, é quase buffet!

A Next Level está a preparar mais atletas para ir. O que é que tu lhes dirias? O mais importante agora é não desistir. O processo pode parecer um bocado difícil com toda a papelada necessária, mas estão a um passo de irem e vale mesmo a pena. Eu acredito que vai ser a melhor experiência que eles algum dia poderão ter.

E como são tratados lá os jogadores de futebol? Aquilo é quase um ambiente profissional, pelo menos durante a época. E há muito apoio de toda a faculdade. Os atletas de outros desportos vão ver os nossos jogos e vice-versa. A minha faculdade é quase 60% atletas, 40% não atletas. Há grande preocupação por parte dos professores que sabem que nós temos de viajar e são flexíveis na entrega dos trabalhos.

E as festas? Como são? Bem, aquilo é quase tudo como se vê nos filmes, até os polícias com os donughts. Em universidades grandes há muitas festas e exactamente como nós imaginamos. Na minha faculdade não, porque é muito cristã, que baniram o álcool e o tabaco no campus…

… E obrigam-te a uma prática religiosa? Nós temos de ir dez vezes à igreja durante o ano inteiro, o que não é nada de especial. É uma hora, às vezes até é algo engraçado, com pastores ou padres um pouco malucos, aquelas igrejas em que cantam muito alto e dançam mas é uma experiência muito gira. Eu até acabei de ir mais do que as dez vezes, pois àquela hora não havia aulas, nem treinos e ia para viver a experiência.

A nível do trabalho que vocês têm de ter, tanto académico como desportivo, que diferenças vês relativamente a Portugal? Em termos académicos, sinto que é muito mais fácil que o ensino de Portugal, é muito baseado nos trabalhos de casa e na assistência às aulas, é o suficiente para ter boas notas. Em termos desportivos é muito mais físico que técnico, nós cá temos uma relação com a bola muito maior. Lá é muito ginásio, muita corrida, muito fitness.

Vê-se que estás feliz Henrique. Muito. Até já estou a pensar em voltar e ainda agora cheguei.

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