11 de Janeiro, 2017
Recém-chegado a Lisboa, Bruno Lima conta como foi a experiência numa universidade norte-americana

"Ser estudante-atleta nos EUA é incrível"

A equipa da Monroe College da qual Bruno também fez parte

Aos 20 anos, o brasileiro Bruno Lima rumou aos Estados Unidos para jogar futebol e estudar numa universidade norte-americana. Foi o início de uma incrível aventura que lhe trouxe muitas alegrias e também muitos benefícios. Regressado ao Brasil, Bruno não teve qualquer dificuldade em arranjar um bom emprego, tendo em conta o prestigio do diploma norte-americano. Recém-chegado a Lisboa, onde vem enriquecer a equipa da Next Level, Bruno conta-nos como uma bolsa desportiva nos Estados Unidos mudou a sua vida.

Como surgiu a ideia de ir estudar e jogar futebol nos Estados Unidos? A ideia de estudar e jogar futebol nos EUA surgiu através de um amigo. O mesmo estava a concorrer para uma bolsa de estudos nos EUA, e lembrou-se de mim, pois já me tinha visto a jogar futebol. Depois de me explicar como funcionava o processo, eu me interessei muito e comecei a me dedicar para obter a tão sonhada bolsa de estudos.

O processo de candidatura foi difícil? O meu processo de candidatura foi um pouco difícil, pois eu queria uma vaga numa universidade da liga NCAA D1. Portanto, tinha que alcançar altas notas no TOEFL e SAT, e não foi o que aconteceu. Acabei por conseguir uma vaga numa Junior College no interior de NY, onde a minha experiência foi incrível, e foi ótimo para a minha adaptação nos EUA.

Conseguiste ter uma bolsa desportiva? No meu primeiro ano não tive bolsa, pois atuei por uma Junior College D3, a qual não oferece bolsa, porém, o seu custo é muito menor do que universidades de 4 anos. Foi bom para eu me destacar no futebol e assim transferir-me para uma faculdade de 4 anos com uma boa bolsa de estudo.

Como é ser um estudante-atleta nos Estados Unidos? Ser estudante-atleta nos EUA é incrível. As faculdades oferecem estruturas sensacionais, as quais, muitas vezes não vemos nem em equipas profissionais. A interação cultural que temos também é muito legal, pois convivemos com estudantes de diversas partes do Mundo. Esta experiência promove muito a responsabilidade e a disciplina, pois temos que tirar notas boas para podermos jogar a "soccer season". Jogamos em grandes estádios, viajamos pelo país inteiro e muitas vezes somos vangloriados pela faculdade se tivermos boas performances nos jogos. Na minha opinião, conciliar a educação com o desporto é algo que não tem preço.

O que achaste do ensino? O ensino é muito bom. As universidades oferecem laboratórios de ótima estrutura para que possamos aprender a matéria na prática também.

Prémio MVP-Most Valuable Player. Bruno distinguiu-se no futebol universitário dos EUA

E a nível desportivo, é desafiante? O futebol universitário é diferente do que muitos pensam. A maioria pensa que é muito fácil de jogar, pois os americanos não sabem jogar futebol e etc. Porém, os americanos melhoram muito tecnicamente, e nas faculdades há muitos jogadores estrangeiros, os quais, são muito bons na maioria das vezes. A parte física é demasiadamente exigida, portanto os jogos são muito desgastantes. Por estas razões, achei desafiante futebolisticamente.

Para quem sonhe ser jogador profissional, recomendarias esta solução? Sim, pois o futebol está ganhando mercado nos EUA a cada ano, com novos times, novas ligas, e jogadores de nome atuando no país. E o mais importante, as equipas profissionais procuram os seus jogadores nas faculdades.

O que foi mais difícil na tua adaptação? Eu diria que foi o frio durante o inverno, e alguns meses do inverno sem ter jogos de futebol. Demorei um pouco para me acostumar.

Como foi o relacionamento com os teus colegas de equipa e os outros estudantes? O meu relacionamento com os meus colegas de equipa foi sempre muito bom, nos divertíamos muito na ida e volta dos jogos. Fiz bons amigos em sala de aula também, mas, tinha um laço mais forte com os colegas de equipa pela convivência mais frequente. São meus amigos até hoje.

Qual foi a tua licenciatura? Business Administration

Como foi arranjar emprego após a licenciatura? Foi fácil, pois no meu país e creio que no restante do Mundo, o diploma americano é muito valorizado. Consegui um emprego numa grande rede hoteleira. Em um dos meus retornos ao Brasil de férias, já havia conseguido a vaga.

Que universidades frequentaste? Cayuga Community College, Monroe College e University at Albany

Como era o teu dia-a-dia na universidade? Dependia muito da época, mas, no primeiro semestre eu costumava ter treinos no período integral, e dois jogos por semana. Tinha que organizar as minhas aulas de acordo com o horário dos treinos. Costumava ter aulas à noite também. No segundo semestre, não havia tantos treinos, portanto eu tinha uma rotina mais tranquila. Conseguia passear pela cidade muitas vezes em tempos vagos.

Como é que conseguias coordenar o estudo com o desporto? O estudante-atleta consegue adaptar os horários das aulas de acordo com os horários dos treinos. Portanto, eu conseguia ir a todas as aulas. O tempo que eu tinha entre treinos, jogos e aulas, costumava ir para a biblioteca estudar para os exames. Quando eu tinha provas em dias de jogos, os professores me autorizavam fazer a prova noutro dia. Os professores costumam ser mais flexíveis com os estudantes-atletas.

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