5 de agosto, 2016
Henrique Loureiro, Union University, Tennessee

“Fiz amigos que vão ficar para a vida”

Entrevista a Henrique Loureiro à chegada dos Estados Unidos

Há um ano, Henrique Loureiro apanhava em Lisboa, um avião rumo aos Estados Unidos para integrar a universidade que, através da Next Level, o tinha recrutado como atleta/estudante. Com oferta de uma bolsa desportiva, Henrique embarcou na aventura e entregou-se de corpo e alma ao estudo e ao futebol na equipa da Union University, em Tenessee. De regresso a Portugal, encontrámos o atleta português no mesmo local de onde partira há um ano: um atleta feliz, muito motivado e que recomenda a licenciatura nos Estados Unidos.

Depois de teres passado um ano a estudar e jogar nos Estados Unidos, qual é o teu balanço desta aventura? É um balanço muito positivo. Ao princípio a adaptação não foi fácil, principalmente ao futebol. Em relação às pessoas foi fácil. Na minha Universidade, a Union, são todos muito disponíveis para ajudar, esforçam-se muito para que estejamos felizes e bem. Por isso correu muito bem e agora espero aproveitar as férias e voltar para o ano.

Quais são as principais dificuldades de um atleta/estudante? Sem dúvida, as culturas que são completamente distintas. Os americanos são muito diferentes de nós. No princípio há sempre o que eles chamam de “culture choc”, as nossas culturas começam a entrar em choque e nós temos de nos habituar. Também temos um bom grupo de internacionais, alguns brasileiros, portugueses, que vieram da Next Level, um espanhol, o que ajuda muito.

Como é o teu dia-a-dia na universidade? Depend. Durante a época temos aulas das 9 ao meio-dia, ou à uma, almoçamos e temos treino às três, depois ginásio e dormir. Durante os fins-de-semana, e como temos dois jogos semanais, viajamos para ir jogar fora ou temos o jogo em casa.

E fora da época? Nesta altura é mais focado no ginásio, no trabalho fora do campo porque a NCAA tem algumas regras sobre o número de vezes que podemos treinar e estar no campo. É acordar e ir ao ginásio, depois ir para as aulas. Jogar mesmo, é mais com os amigos.

Henrique garante que o ensino nos EUA é mais fácil mas mais trabalhoso.

E como é que sentiste em relação ao ensino de lá? Eu acho que o ensino lá é mais fácil que cá mas bastante mais trabalhoso. Uma pessoa que esteja habituada a estudar cá, não tem dificuldades lá. Mas quem vem daqui sem estar habituado a um bom método de trabalho, chega lá e sente um grande choque pela quantidade de trabalho que tem pela frente.

Qual é o teu plano de futuro? Seguir a carreira futebolistica ou a via profissional? Eu estou a fazer Business and Administration. O meu plano é seguir o meu curso. Em relação ao futebol, eu acho que vou jogar o resto da minha vida, porque adoro. Mas acho que chega uma altura, daqui a três/quatro anos, em que terei de me focar na minha vida profissional.

E queres ficar nos Estados Unidos ou voltar? Isso é uma pergunta difícil que ainda não sei responder. No princípio do ano, a minha resposta era clara, era voltar. Agora com um ano de bagagem já começo a ter algumas dúvidas sobre se devo voltar ou ficar lá.

Fizeste grandes amigos neste ano, não é? Fiz. Fiz amigos que vão ficar para a vida. Alguns já se graduaram e não estarão no próximo ano, mas nunca os vou esquecer e sei que posso sempre contar com eles.

Como são as acomodações na Union? Cada apartamento tem quatro quartos, uma cozinha, uma sala e duas casas de banho. Eu partilho o meu apartamento com um português e um brasileiro, pelo que lá só se fala português. Temos um quarto vazio, vamos alternando nas tarefas da casa, quem é que limpa, quem lava a loiça, a casa-de-banho, a sala. Quanto às refeições, a equipa de futebol almoça toda junta, ou se não conseguimos estar todos, pelo menos os internacionais. Jantar, jantamos em casa.

É uma diversão, claro? Claro. É uma diferença enorme pois cá temos muito a cultura de chegar à escola e a primeira coisa que queremos é ir embora. E lá nós vivemos na escola. Vamos para a escola também para nos divertirmos, não é só as aulas, treinos e mais nada.

Que dirias aos teus colegas que vão este ano embarcar para os Estados Unidos? Sair daqui com uma mente muito aberta, as diferenças que vão encontrar são muitas. Por exemplo a nível da religião. A Union é uma universidade cristã pelo que temos de nos adaptar às regras. E também que se mantenham em forma para se prepararem para a pré-época nos Estados Unidos que é difícil.

A exigência a nível do futebol é grande? A exigência é grande e eu acho que é mais físico do que cá. É mais intenso do que o futebol em Portugal.

Mas era essa a imagem que tinhas do futebol norte-americano? Bem, já tinha visto alguns jogos, mas surpreendeu-me a qualidade que encontrei lá.

Sentes diferença entre o Henrique que foi há um ano e o Henrique que agora regressa? Sim, sinto algumas diferenças em bastantes coisas. Em mim, como pessoa, cresci. E a jogar futebol sinto que evoluí bastante lá. Viver sozinho é outra experiência, amadurece-nos.

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